O Fuscão
Escrito por Robson Luiz Braga
O FUSCÃO!
O
carismático sedan como era chamado já estava consolidado no mercado,
tinha seus seguidores fieis mais ainda faltava alguma coisa.
Na
Alemanha seu pais de origem o fusca já era oferecido em acabamentos
mais luxuosos e com motor 1500 que seria substituído nesse mesmo ano.
Até que em julho de 1970 surge o que é considerado por muitos o melhor fusca nacional de todos os tempos! O VW 1500, vulgo Fuscão, que na verdade era um fusca bem melhorado e com certo requinte de fábrica.
O
motor de 1493cm³ e 52 cv (SAE*) já existia por aqui desde 1967 quando
foi colocado na Kombi e no Karmann ghia, sendo oriundo da Alemanha
onde era feito desde 1962 e equipava diversos carros da linha vw, porem
um detalhe fora deixado de lado: no resto do mundo era vendido com um
carburador de duplo estágio, e no Brasil um simples igual o usado nos
motores 1300.

A
transmissão mais longa, as rodas e calotas, os freios a disco
(opcionais) e suspensão dianteira vieram do trio 1600/ Variant/ tl
(nessa ordem) lançados aqui recentemente, havia uma barra compensadora
no eixo traseiro que também passou a ser mais largo, que foi onde
melhorou a estabilidade em alta velocidade.

O
interior era semelhante ao desses outros Vws com o acabamento plástico
imitando jacarandá no painel e o volante era o mesmo desde o inicio dos
anos 60 só que agora era preto, instrumentos básicos de sempre. E os
forros de porta e laterais traseiras com tiras do mesmo jacarandá,
contando com o padrão de tecido, cores, e formato dos bancos com os
gomos que também por pedido poderiam vir em 4 cores: preto, marrom
claro, marrom café e branco, que eram combinados com a ampla opção de
cor da carroceria: eram 9: amarelo manga, azul diamante, azul pavão,
branco lótus, bege claro, cinza lobo, laranja vitória, verde folha e
vermelho cereja. Sendo o laranja e o amarelo estes inéditos em um fusca
no Brasil.
Foi um sucesso imediato, tanto que no primeiro mês foram produzidos mais de 4mil unidades.
Possuía
um melhor desempenho geral mais não muito longe dos 1300 e seu preço
era pouco maior que o irmão despojado velocidade final ficava em
130/140 km/h enquanto o 1300 em 120km/h.
Estreava a nova
estética do fusca com os pára-choques que seguiam o padrão alemão e
eram de uma lamina só sem os arcos e picaretas (que seriam
re-inventados e vendidos como acessórios nas concessionárias e lojas de
peças leia mais sobre os acessórios a seguir), os pára-lamas
continuavam os mesmos do ano anterior porem as grades da buzina sumiam
para sempre e agora eram os suportes dos pára-choques que saiam deles,
as lanternas dianteiras ganhariam um aumento na lente e as traseiras
também cresceram. Eram tricolores, abrigavam farol/luz de freio, ré e
pisca. Os dois capôs tiveram seu tamanho reduzido e o traseiro possuía
10 aletas de refrigeração, vidros móveis e ar quente que há muito
acompanhavam o besouro eram de série.

Mudanças
viriam, porem só em 1972 traria algo novo e era apenas a luz do teto
que foi reposicionada a chave de seta perdia o botão de farol alto e
vinha em ferro coberto por plástico da marca SWF e surgiram novas
cores: verde guarujá, verde iguaçu, amarelo caju, vermelho montana,
azul nápoles, laranja monza e para alguns clientes o preto.
No ano de 1972 repetiu o sucesso e vendeu muito mais que o 1300.

Em
1973 o Fuscão recebia as primeiras mudanças. Os pára-lamas mudavam
(seriam em fim equiparados ao modelo alemão de 1968) com o farol em um
ângulo de 90º, a tampa traseira recebia 28 aletas de refrigeração, o
ar quente vira opcional, o padrão de tecido dos bancos mudava e ficava
pouco mais rugoso, tinham novas opções de cores sendo: preto, creme,
vermelho marrom e branco, assim combinando mais com as novas cores
externas, que agora eram: azul arara, azul niagara, amarelo safári,
amarelo caju, amarelo taxas, branco lótus, ocre marajó, verde hippie,
vermelho montana e o preto, mudou também o distribuidor que agora era
de vácuo centrifugo. Foi nesse ano que surgiu o 1500 básico ou série
bravo, que consistia em um 1300 com mecânica e tampa traseira de 1500,
durando apenas alguns meses.

Em
1974 apareceriam as alterações externas e internas do fusca 1302 alemão
de 1971: capo dianteiro com abertura para ventilação interna, aletas
laterais atrás dos vidros mais conhecidos como orelhas, e as janelas
moveis que deixavam de ser oferecidas até mesmo como opcional, somente
o ar quente e os freios a disco, e opção de cor interna estavam na
lista.
Suas cores eram: azul caiçara azul safira, bege alabastro,
marrom caravela, ocre marajó, verde marítimo, verde místico, verde
hippie e vermelho rubi
Mudavam também o padrão de estofamento
que deixava os gomos e adotava um tecido com traços transversais e
linhas coloridas nas cores: branco, creme, bege, vermelho e preto,
desaparecia o acabamento de jacarandá, virando apenas uma capa de
plástico preto. Encobrindo o painel, o volante perdia o seu aro cromado
e ganhava um formato que alguns chamam de bumerangue.

Já
não era mais o mesmo fuscão que nos anos anteriores era desejado por
90% dos jovens e classe média. Perdia o status de carro da classe
média, pois agora existiam opções que iam de Chevette, Dodge 1800, o
Brasília ao Passat. Foi nesse ano que a Volkswagen lançou o 1600S que
era um fuscão esportivo com motor 1600 e que ganhará uma história
própria.
No ano de 1975 apenas mudavam as cores da carroceria
incluindiam, laranja outono. Vermelho nobre, azul danúbio e amarelo
imperial Mais algo de ruim estava por vir.
Sua aposentadoria em abril de 1975 após 419433 unidades o fuscão deixava saudades e virava vw 1600.
Foi
o carro da família, frotistas, governo, policia disfarçada ou não,
desbravadores que viajaram o pais e a América do sul e chegando
inclusive a Atlanta em 1996 para as olimpíadas e não poderíamos deixar
de descrever os apaixonados por emoções fortes que viram no fuscão seu
primeiro CARRÃO.
Hoje pessoas passam por ele na rua e elogiam,
falam que os melhores anos de sua vida foram num carro semelhante a
esse, aprenderam a dirigir, ou fizeram acrobacias. Uma infinidade de
coisas. Mais a percepção do orgulho que as pessoas tem está ali, em
alguns chegam a cair lagrimas. É uma sensação indescritível.
Especial:
quem gostava de andar forte viu o fuscão com outros olhos! Estava ali o
primeiro fusca apimentado de fabrica, pronto pra deixar pra traz
“quase” a totalidade de fuscas e outros até bem maiores que andavam nas
ruas e estradas, nos pequenos ele só perdia para os extintos DKW (que
merecem nosso respeito) e em velocidade final para alguns corcéis, eram
muito apreciados pelos filhos adolescentes e suas namoradinhas, jovens
e quem não queria ficar para traz nas subidas. Quanto ao “quase”
existiam alguns 1200 mexidos que andavam muito e andavam na frente do
fuscão, mais perdiam em um detalhe: durabilidade era ilusão e quebravam
do nada.
Os acessórios: a lista era enorme e poderiam vir dos outros fuscas que foram vendidos ou trocados.
O
volante WALROD ou de madeira(este combinando com o painel), rodas de
tala larga ou com buracos diferentes e tambem surgiam das de liga,
rádios AM, toca fitas de cartucho(coqueluche) toca discos compacto,
dentadura de baiano(agora também para a tampa traseira) vidros bolha,
Ray-ban e também os escurecidos(estes muito raros hoje em dia devido a
sua proibição nos anos 80)
Conjuntos mecânicos comprados na puma que iam de relação de transmissão Carburadores duplos a motores 2.0 inteiros.
Arcos
de pára-choque para os órfãos do fusquinha antigo ou quem queria um
charme a mais no seu besouro, batentes para proteção, para barros,
saboneteiras de portas, polainas e protetores internos de pára-lamas,
lentes de faróis amarelas, faróis de neblina e longo alcance, brucutus
cromados, bancos concha, interiores personalizados, conta giros,
manômetros,
E peças de porsche que os assim equipados viravam verdadeiros Hots
Os admirados:
certos anos com combinação de cores especificas são a paixão dos
admiradores: nada como aquele vermelho montana 1973 com interior creme,
ou o bege claro com interior marrom café, o azul pavão com branco, o
verde maritmo com creme. Sendo originais na essência são carros que
representam bem o fuscão em qualquer evento nacional ou internacional.
Obs:
nomes de cores retiradas de um catálogo de tintas antigo da combilaca (anos 80)
Cores e interiores vistas em fuscas e comentadas por meus tios e pai que trabalham desde os anos 60 com fuscas
O
texto não foi copiado, pois ninguém retrata tão profundamente a
historia deste carro em especial, só usei o numero total de produção
existente na 4rodas de novembro de 2006. usei das próprias palavras e
conhecimento adquirido de anos de oficina e convivência com esses carros
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Teste
Quatro Rodas
Janeiro de 1973
Aceleração 0 a 100 km/h 26,1 s
Velocidade máxima 128,57 km/h
Frenagem 80 km/h a 0: 29,1 metros
Consumo 7,1 km/l (cidade) 9,8 km/l (estrada)
Preço
DEZEMBRO 1972
CR$ 16 927
ATUALIZADO
R$ 38 675
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Ficha técnica
VW 1500
Motor: traseiro, 4 cilindros contrapostos, 1 493 cm3, refrigerado a ar, carburador de corpo único Solex H 30 PIC
Diâmetro x curso: 83 x 69 mm
Taxa de compressão: 6,8:1
Potência (SAE): 52 cv a 4 600 rpm
Torque máximo (SAE): 10,3 mkgf a 2 600 rpm
Câmbio: 4 marchas Carroceria: sedã, 2 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 402 cm; largura, 154 cm; altura, 150 cm; entreeixos, 240 cm; altura livre do solo, 15,2 cm Peso: 820 kg
Suspensão:
Dianteira: independente com barras de torção transversais em feixe,
amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira:
independente, semi-eixos oscilantes, barras de torção, amortecedores
hidráulicos
Freios: tambor nas 4 rodas (disco dianteiro opcional)
Direção: setor e rosca sem-fim
Rodas e pneus: aço estampado, aro de 15 polegadas e tala de 4,5, pneus 5,6x15
Fonte: http://www.forumfuscabrasil.com/index.php?topic=9735.0

escrito por rafael zach, abril 12, 2009
escrito por Mauricio Martins, maio 15, 2009
Mauricio - Recife/PE
escrito por José Maria da Silva, setembro 17, 2009
Grato. JM
escrito por Erivaldo Gomes, julho 21, 2010
Estou reformando um Fusca 77, gostaria de receber informações sobre a originalidade do mesmo, tais como tapeçaria dos bancos, medidas das rodas e pneus, etc.
Obrigado pela atenção.
escrito por Sérgio Fontenele, agosto 22, 2010
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